Wright & Davies Ltd era uma oficina sediada em Clerkenwell, Londres, que fornecia caixas de relógios, fechos de deployant e pulseiras sob medida para a operação da Cartier em Londres. Enquanto a English Art Works Ltd lidava com joias e peças decorativas, a Wright & Davies ocupava um papel distinto como a oficina de fabricação de caixas, responsável pelos componentes metálicos dos relógios da Cartier London.
Clerkenwell há muito tempo era o centro do comércio de metalurgia de precisão de Londres (relojoeiros, fabricantes de relógios e fabricantes de instrumentos estavam concentrados lá desde pelo menos o século XVIII), e a Wright & Davies operava dentro dessa tradição. A oficina produzia caixas de acordo com as especificações da Cartier, com o trabalho realizado por ourives especializados. Sam Mayo, o chefe da oficina, é registrado como o artesão mais estreitamente associado a essa produção.
O processo de produção ligava a Wright & Davies diretamente à operação de varejo e relojoaria da Cartier London na 175 New Bond Street. Caixas, pulseiras e fechos completos eram coletados e transportados de Clerkenwell para Bond Street, onde Eric Denton e sua equipe completavam a montagem. O Cartier Crash (um dos mais célebres relógios da Cartier London) teve sua caixa feita na Wright & Davies, assim como o relógio Cartier Pebble, entre os mais distintos e agora mais raros dos designs da Cartier London, produzidos sob Jean-Jacques Cartier no início da década de 1970.
A conexão Wright & Davies é relevante principalmente como contexto para a compreensão da produção de relógios da Cartier London de meados do século XX. Caixas feitas lá não possuem uma assinatura separada da Wright & Davies, o relógio acabado é assinado como uma peça Cartier. A identidade da oficina faz parte da história da fabricação, e não da apresentação de varejo do objeto, e sua importância reside na compreensão da rede de artesãos especializados que sustentou a produção da Cartier London durante um período de notável produção criativa.
Fontes
- Francesca Cartier Brickell, The Cartiers (Ballantine Books, 2019), cap. 10 (“Primos na Austeridade, 1945–1956”) e cap. 11 (“O Fim de uma Era, 1957–1974”)
- Hans Nadelhoffer, Cartier: Joalheiros Extraordinários (Thames and Hudson, 1984; revisado 2007), citado pp. 253, 352