
Enquanto nos aproximamos do Dia VE, tenho pensado em como deve ter sido se aproximar do final da Segunda Guerra Mundial em Paris.
Anos de ocupação tinham prejudicado a 'cidade da luz': eletricidade e gás eram escassos, a água era frequentemente cortada e, como o chefe de vendedores da Cartier escreveu para sua esposa, "o abastecimento é cada vez mais difícil... subsistimos pelo mercado negro.
Há um mês temos muito poucos vegetais ou frutas, 0,90 gramas de carne por semana de má qualidade." Ele era um dos sortudos: muitos sobreviviam apenas com nabos, um nabo normalmente alimentado para o gado.
Outros tentavam esticar suas rações criando galinhas ou coelhos em cantos de pequenos apartamentos (cães havia muito tempo tinham sido capturados para desminarem o país e gatos tinham acabado em ensopados).
Mas não se tratava apenas de ficar sem: havia medo real também. Hitler havia ordenado seus exércitos para destruir Paris se fosse invadida pelos aliados. Sob essas condições, os negócios foram severamente testados, mas muitos permaneceram abertos — se apenas para evitar que fossem requisitados pelos ocupantes. Cartier Paris não estava sozinha em resistir a numerosas tentativas dos nazistas de transferir a Maison e seus funcionários através da fronteira para a Alemanha.
E o símbolo eterno da Cartier daqueles tempos? O agora icônico broche de um pássaro aprisionado em uma gaiola.
Desenhado por Pierre Lemarchand, o designer da Cartier renomado por suas criações de animais (ele também foi responsável por muitas das famosas jóias de pantera para a Duchess of Windsor), o broche do pássaro representava os inocentes franceses, mulheres e crianças aprisionados pelos alemães em sua própria cidade.
Cartier Paris ousadamente exibiu o broche na vitrine da Rue de la Paix em 1942. Alguns relatos sugerem que Jeanne Toussaint, como chefe de Alta Joalharia, foi levada para interrogatório e mantida por um curto período antes que sua amiga Chanel conseguisse sua libertação.
Minha rápida busca através dos registros da polícia parisiense da Segunda Guerra Mundial foi incapaz de confirmar isso, mas de qualquer forma, exibir o broche foi um movimento incrivelmente corajoso naquela época. E hoje, quase 80 anos depois, aquela simples e ousada pequena criação adornada com jóias sobrevive como um lembrete do que as gerações anteriores viveram.
Este artigo foi traduzido do inglês. Ler o texto original em inglês